Amor Para Com Todos

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Amor Para Com Todos

Romanos 12:14 “Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis”

Na comunidade do Povo de Deus cada crente é chamado para efetivar o amor ao próximo por meio de ações. A partir do Versículo 14, Paulo mostra que esse princípio do amor cristão deve aplicar-se, abarcando também o mundo exterior. Deus amou o mundo (Jo 3.16), Isto é, a humanidade inteira; espera-se dos crentes a mesma amplitude de amor, o amor para com todos.

Uma clara demonstração do amor de Deus pode atrair as pessoas para o reino do Salvador. Quando ainda estávamos sem forças, Cristo morreu a seu tempo pelos “ímpios”. Deus recomendou o seu amor para conosco quando ainda éramos pecadores, isso foi demonstrado pelo fato de que Cristo morreu por tais pecadores. (Rm 5.6,8).Nisso percebemos o princípio Divino do amor em operação, que se baseia em si mesmo, e não no objeto amado. O amor é um princípio fixo da natureza divina, não é algum benefício que opera somente em favor dos objetos que lhe são agradáveis. Deus achou por bem amar, e assim amou o mundo. “O amor de Deus, entretanto, é um poder transformador que pode modificar completamente o objeto amado”. (Champlin)

E, se estamos falando de amor para com todos vejamos então o que, à Sombra do amor de Deus, podemos investir nas outras pessoas em nós mesmos.

1) Abençoai os que vos perseguem (Rm 12.14)

Em Cristo encontrai o possível e o impossível; levar à morte o ressentimento da natureza humana, deixando tudo aos pés de Cristo.

Se a esperança cria largueza de coração para com os perseguidos, também cria a capacidade de amar e bendizer os próprios perseguidores. O mandamento do Senhor é amar e bendizer os nossos inimigos e perseguidores (Mt 5.44).Nas promessas das bem-aventuranças, Jesus fala da reação correta em relação a perseguição (Mt 5.10,12).Pedro igualmente ordena que evitemos a vingança e que abençoemos os que nos injuriam. Abençoar é uma atitude bastante condizente com os filhos de Deus. Os que não são do Senhor tem facilidade em maldizer as outras pessoas.

Algumas vezes as crises pelas quais passamos podem nos levar ao sentimento de vingança em relação às pessoas que nos prejudicam. É aí que se percebe a diferença de estar em Cristo: o mesmo sentimento que Nele habitou deve estar em nós (Fp 2.5). “Ter a boca cheia de amargura é uma das grandes características dos homens não regenerados, o que de forma alguma convém aqueles que proferem o nome de Cristo” (John Gill).

É bom que cada um reflita no que tem falado a respeito das autoridades, dos líderes religiosos e das pessoas ao redor. Cada um de nós deve aprender a falar bem a respeito dos outros (Tg 3.9-12).

2) Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram (Rm 12.15)

Não convém a nenhum crente aspirar ambiciosamente aquelas coisas mediante as quais poderá ultrapassar ao outro e nem lhe convém assumir uma experiência exaltada e altiva; pelo contrário, compete-lhe humildade e mansidão.

Paulo fala na graça cristã da empatia, que é a capacidade de se identificar com a outra pessoa, de sentir o que ela sente.

Quanto mais a pessoas vai se tornando parecido com Cristo, mais se deixará mover de empatia com outras pessoas. A largueza de coração criada pela esperança cristã torna o homem sensível às alegrias e tristezas dos outros em geral.

Crisóstomo nos adverte que é mais fácil chorar com os que choram do que se alegrar com os que se alegram. Porque é comum a natureza humana chorar pelos que sofrem, contudo, podemos cair no pecado da inveja ao vermos uma pessoa obtendo sucesso. No entanto, quem ama ficará sempre feliz com alegria da pessoa amada.

Esforcemo-nos por possuir a mente compassiva e cheia de empatia. Que nosso coração se deixe tocar pela aflição alheia.

3)  Tende o mesmo sentimento uns para com os outros (Rm 12.16)

Unidade é o compartilhar incondicional de nossa vida com os outros membros do corpo de Cristo.

A edição da Bíblia Revista e Corrigida traduz o verso 16 da seguinte forma: “sede unânimes entre vós”. De fato, Paulo está focalizando a necessidade de harmonia entre os irmãos. A harmonia é um dos resultados naturais do amor, da mesma forma que a dissensão, os conflitos e a confusão são resultados perfeitamente naturais do orgulho e da vaidade.

A harmonia entre nós é produzida pela operação amorosa do Espírito Santo, a qual produz todo o seu fruto em nós. As relações harmoniosas então devem ser buscadas e mantidas no seio da comunidade cristã (Rm 15.5; 2Co 13.11; Fp 2.2 e 4.2). O próprio Senhor Jesus nos informou que a nossa unidade é um meio eficaz para o testemunho cristão (Jo 17.23).

4) Condescendei como que é humilde (Rm 12.16)

A humildade é a base de toda virtude, e aquele que desce mais é quem edifica com maior segurança. (Philip J. Bosley).

Cada crente deve identificar-se com os demais. Não pode haver distinção que promova a divisão do corpo de Cristo. É bom lembrar que os romanos, para quem primeiramente foi endereçada essa carta, tinham escravos. Quão difícil deve ter sido para alguns indivíduos destacados se misturarem e tratarem como iguais aos escravos de sua casa! Cristo trouxe uma nova ordem, pois em sua família o prestígio social não mais distingue os filhos.

O crente deve se deixar atrair também por pessoas de menor influência na igreja. Não se deve privilegiar a quem tem uma melhor posição social e intelectual. Este é um sinal de uma igreja sadia: os irmãos de classes sociais distintas convivendo com igualdade e amor (At 2.42-44).

Os títulos e a aristocracia de alguns irmãos mais privilegiados deviam ficar fora do convívio da comunhão cristã (Tg 2.1-9)

Crisóstomo disse: “Rebaixai-vos a condição de humilde, andando ou caminhando ao lado deles; não sendo humildes tão somente na atitude mortal, mas ajudando-os igualmente, e estendendo a mão para eles”.

Procure observar se os irmãos de condição mais humilde de sua igreja têm sido acolhidos pelos demais. Tome você mesmo a iniciativa dessa tarefa.

5) Não sejais sábios aos vossos próprios olhos (Rm 12.16)

O apóstolo Paulo orienta que o amor cristão elimine o orgulho e a presunção. O nosso modelo é o Senhor Jesus, que se humilhou antes que fosse exaltado (Fp 2.2-5).O próprio Jesus foi quem disse: “aprendei de mim porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11.29).

É um perigo para o cristão começar a se comparar com os seus irmãos e julgar-se melhor. Muitas vezes, os que querem se mostrar “mais espirituais” são os mais orgulhosos e quase nunca aceitam a orientação de seus líderes. O final é sempre a queda espiritual e a divisão da igreja.

O Cristão não deve se ensoberbecer, Pois Cristo convoca para amar e o amor não ensoberbece  (1 Co 13.4). Pelo contrário,  se há algum motivo para se gloriar, é no Senhor ( Sl 44.8; Jr 9.24; rm 5.11; 1 Co 1.31; Gl 6.14 ).

Conclusão

Admoestações à unidade, humildade e compreensão compassiva e advertência contra o orgulho não estão fora de propósito quando se fala da tribulação presente da esperança que triunfa sobre a tribulação;  as palavras de Paulo à igreja de Filipos, que experimentava aflições e, o demonstram (Fp 1.29-2.4 cf 2.14-18; 4.2).  A tribulação que atinge a todos e o prospecto do mesmo martírio não garantem por si só união e humildade na igreja atribulada. Realmente, Romanos 12.16-17 parece ser um comentário do pensamento Expresso em Filipenses 4.5: “Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens”. Paulo roga aos cristãos de Filipos que deixem todos ver neles, tanto amigos como inimigos, a igreja perseguida, o comportamento digno de reis, que advém da consciência que se tem da própria força. A força da igreja reside em sua esperança. Paulo apresenta o motivo e a dinâmica para esta serena moderação nas palavras:  ”Perto está o Senhor” ( Filipenses 4.5 )

O Comportamento do Crente – Ed. Cristã Evangélica

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